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COMUNICAÇÃO

17/07/2026

Grupo de trabalho reúne propostas para enfrentar proliferação de macrófitas no reservatório de Cachoeira Dourada

GERAL

Grupo de trabalho reúne propostas para enfrentar proliferação de macrófitas no reservatório de Cachoeira Dourada

Contribuições de diferentes instituições estão sendo reunidas para orientar ações emergenciais e estratégias de longo prazo para enfrentar o problema no rio Paranaíba.


A proliferação das macrófitas continua gerando transtornos para  setores como pesca, turismo, piscicultura e navegação, provocando impactos ambientais, sociais e econômicos para os municípios e comunidades do entorno. Este tipo de algas, limitam a entrada de luz solar e prejudicam o processo de oxigenação e tem causado a morte de peixes. 

 

Em busca de soluções para o problema, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (CBH Paranaíba) criou o Grupo de Trabalho Macrófitas Aquáticas Egeria (GT Algas), que reúne representantes de diferentes instituições para discutir medidas emergenciais e ações estruturantes capazes de reduzir os impactos ambientais, sociais e econômicos provocados pelo crescimento excessivo da planta.

Desde sua criação, o GT Algas já realizou três reuniões, dedicadas ao levantamento de informações, ao compartilhamento de estudos e à discussão de alternativas para enfrentar o problema. O próximo passo será consolidar as propostas apresentadas pelas instituições participantes e avançar na elaboração de um plano integrado de atuação.

 

Propostas que vinham sendo elaboradas separadamente por diferentes instituições estão sendo reunidas para orientar uma resposta conjunta à proliferação de macrófitas no reservatório de Cachoeira Dourada, localizado no Rio Paranaíba, na divisa entre Goiás e Minas Gerais. Até a próxima reunião, os participantes deverão apresentar estudos, contribuições e planos de trabalho relacionados ao problema. O objetivo é organizar esse material, identificar os pontos que precisam ser avaliados e construir uma estratégia compatível com as condições ambientais e com os diferentes usos da água no reservatório.

 

A relatora do GT Algas, representante da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), Ilce Santos Oliveira, explica que parte das iniciativas já existia antes da criação do grupo, mas havia sido desenvolvida sem um planejamento integrado: “Vamos fazer um compilado de todas as contribuições que o grupo trouxe, consolidar esse material e, juntamente com os participantes, apresentar uma proposta de trabalho viável e condizente com a realidade da situação”, afirma.

 

A coordenadora do GT Algas, professora da Universidade Federal de Jataí (UFJ) e representante da Associação Nacional das Mineradoras de Águas Termais (Amat), Mônica Rodrigues Ferreira Machado, esclarece: “Agora, o trabalho é consolidar essas propostas, identificar todos os fatores que serão avaliados e, a partir disso, iniciar a redação do relatório final”

 

Construção conjunta


O reservatório de Cachoeira Dourada se estende entre Goiás e Minas Gerais e atende a diferentes usos da água.

 

Por atravessar limites estaduais, o enfrentamento do problema também exige articulação entre instituições que atuam nas esferas municipal, estadual e federal. Para Mônica, aproximar esses atores e criar condições para uma atuação coordenada está entre os principais desafios do GT Algas. “O primeiro desafio é trazer os municípios e colocar todos para conversar. A solução do problema não será única; ela terá que ser construída de forma conjunta”, destaca.

 

As características de cada região também precisam ser consideradas. Segundo a coordenadora, as mesmas metodologias não serão necessariamente adequadas para todos os municípios afetados. Cada intervenção deverá levar em conta as especificidades locais, os usos da água e as condições ambientais de cada área.

 

Controlar a proliferação da Egeria vai muito além da retirada das plantas. Mônica explica que as respostas de longo prazo deverão envolver diferentes frentes de atuação. “O processo de mitigação é multifatorial. Ele vai depender de saneamento básico, de limpeza de áreas, do trabalho com as cidades próximas e também com os proprietários de terras para a preservação da mata ciliar”, afirma.

 

A Egeria ocorre naturalmente no ambiente aquático e, em condições de equilíbrio, permanece em quantidades controladas. A proliferação excessiva pode estar relacionada à combinação de diferentes fatores, entre eles o lançamento de esgoto e o transporte de nutrientes e outras substâncias para o reservatório pela água da chuva.

 

O GT Algas ainda não iniciou uma investigação detalhada para determinar a contribuição de cada fator. Segundo Ilce, neste momento, o foco está na construção de uma resposta emergencial. As causas e as ações estruturantes deverão ser aprofundadas posteriormente.

 

Ações emergenciais exigem cautela


Entre as alternativas discutidas para reduzir os impactos mais imediatos está a retirada mecânica das macrófitas. A medida, no entanto, ainda não foi realizada no âmbito dos trabalhos acompanhados pelo GT Algas.

 

Para Ilce, qualquer intervenção deve fazer parte de um planejamento estratégico e contar com embasamento científico. Uma operação inadequada pode alterar as condições do reservatório, reduzir a disponibilidade de oxigênio na água e afetar tanto os peixes nativos quanto os produzidos em tanques-rede na região. “Não é qualquer tipo de trabalho que pode ser feito. Caso seja desenvolvida uma estratégia ineficiente, que interfira na qualidade ambiental, podemos ter baixa de oxigênio, culminando com a morte dos peixes nativos ou daqueles produzidos em tanques-rede”, alerta.

 

A proposta que será construída pelo grupo no atual momento não terá como objetivo eliminar a Egeria, mas controlar seu crescimento excessivo e reduzir os impactos ambientais e socioeconômicos associados à proliferação. “Ela existe naturalmente no ambiente. A proposta deve ser de mitigação, com controle ambiental e algumas ações de retirada mecânica, mas tudo dentro de um planejamento estratégico que não venha a agravar o problema”, explica Ilce.

 

Mônica ressalta que a adoção de novas metodologias exige cautela, já que seus efeitos sobre o ambiente ainda precisam ser avaliados. Na avaliação da coordenadora, a criação de uma área-piloto pode ser um caminho importante para testar essas alternativas antes de uma aplicação mais ampla. “Uma área-piloto permitiria avaliar, de forma mais segura, quais problemas podem surgir com essas intervenções e como reduzir seus possíveis impactos”, afirma.

 

A possibilidade ainda será submetida à discussão do grupo e não representa uma ação já aprovada. A coordenadora ressalta que algumas metodologias ainda precisam ser avaliadas quanto à efetividade e aos possíveis impactos sobre as pessoas e atividades que dependem das águas do reservatório.

 

A cautela também está relacionada à dimensão do problema. Segundo Ilce, a extensão e a profundidade da área afetada tornam inviável esperar resultados imediatos. A retirada em pontos específicos pode ajudar a reduzir impactos localizados, mas não é suficiente para recuperar o equilíbrio de todo o ambiente. “Não será um processo rápido. Vamos ter que corrigir o que vem causando essa proliferação exagerada até que se volte a uma situação aceitável, que não comprometa ambientalmente o reservatório como acontece agora”, afirma.

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